Reciclando a dona de casa

Imagem: Mike Licht

Ser dona de casa hoje em dia é polêmico.

Quem nunca sentiu um olhar torto ao dizer que é dona de casa? Até mesmo quem é dona de casa por decisão própria e com orgulho, toma certo cuidado ao dizer em voz alta sua profissão. Eu sei porque eu também faço isso. Dependendo da pessoa com quem eu falo eu já sei que vai me olhar feio e vai achar que trabalhar em casa é igual a não fazer nada o dia todo. E sabe que eu vejo esse olhar mais em mulheres que em homem?!

O título “dona de casa” traz muitos estereótipos. Por exemplo:

- dona de casa só sabe fazer limpeza e pilotar fogão;
– dona de casa fica de pernas pro ar e tem um trabalho muito fácil;
– dona de casa é submissa.

E assim vai, os títulos são diversos e totalmente injustos. A dona de casa dos anos 50 tinha uma imagem de esposa perfeita, casa sempre limpinha, comida na hora certa na mesa, impecável para o marido… Mulheres de carreira, naquela época, não eram tidas como boas esposas. A obrigação em ser dona de casa não era uma coisa agradável para muitas, então veio a revolução.

Mulheres queimaram sutiãs, foram as ruas e exigiram poder trabalhar fora e escolher carreira. Elas conseguiram. Ao exigir o direito de trabalhar, gerou-se uma certa obrigação de fazê-lo, do contrário você estaria contra os princípios de quem lutou por seus direitos de sair de casa… Aí é que tá… O direito, deveria ser o de escolha!

E como ficaram as que ainda preferiam ser donas de casa? Sim, existiam as que queriam ficar em casa! Adquirimos a obrigação de trabalhar fora e ainda continuar mantendo a casa, ou podemos escolher fazer bem uma coisa, o que mais gostamos? Creio que passamos pelos dois extremos: a obrigação de ficar em casa e a obrigação de trabalhar fora. Agora estamos tentando achar um meio termo para tudo isso. A mulher poder trabalhar fora, implicou em muitas mudanças para toda família e só agora estamos conseguindo equilibrar os direitos e as obrigações.

Vamos analisar. A dona de casa limpa a casa sim, mas também cuida de finanças, moda, decoração, jardinagem, sabe instintivamente sobre psicologia (só assim para lidar com as crianças, o marido que chega irritado do trabalho e conseguir um lar equilibrado), sabe lidar como ninguém com o tempo e organização das tarefas… Essas são apenas algumas das várias faces que a dona de casa tem e que nem todo mundo repara, porque além de tudo, a dona de casa é modesta.

A dona de casa de hoje em dia, é uma mulher dinâmica, não é aquela figura de mulher de avental dos anos 50. Ela lida com computador, tem blogue, faz artesanato, decora a casa e dá dicas disso pela internet… A dona de casa não é a “Amélia” que muitos ainda pensam ser. Somos mulheres batalhadoras e cheias de vida, somos muitas Danis, Renatas, Elos, Carols, Fernandas, Marias… Estamos em casa equilibrando a família, cuidando das crianças, criando e reinventando, e compartilhando tudo isso para uma vida cada vez melhor, para que um dia as mulheres possam escolher com orgulho qualquer carreira que quiserem, mesmo que seja a de “dona de casa”.

{Carolina G. R. Szabadkai}
Colunista

20 comentários em “Reciclando a dona de casa

  1. Só sei que a gente se vira nos 30

  2. Em uma repartição pública eu respondi que era dona de casa e a atendente disse: só isso? Eu disse que já estava de bom tamanho, há 7 anos que não tiro férias (desde que fui mãe)! Porque mesmo nas férias o trabalho não para não é mesmo? Ótima reflexão Carol!

  3. Amei esse post! Realmente é bem assim mesmo! Parabéns por dar voz sobre o que passam as donas de casa!

  4. Priscilla Freitas / 15 de outubro de 2012 at 13:30

    Parabens pelo texto, pois é tudo perfeito para quem hoje é dona de casa. Já passei por varias situações parecidas e muitas pessoas me olham diferente mesmo principalmente quando se é jovem e está em casa julgam sem conhecer a vida do casal. Penso que se a mulher optou em ser dona de casa é porque essa foi a decisaõ tomada pelo casal e ninguem tem nada com isto. bjos

  5. Crescendo Juntas / 15 de outubro de 2012 at 13:35

    Muito bom, Carolina! Penso que o que falta é isso: o respeito ao direito de escolha. Beijos!

  6. Fabiana Giannotti / 15 de outubro de 2012 at 21:53

    Parabéns pelo texto, eu virei dona de casa quando me mudei para o Mexico, vivo aqui a 4 anos e tenho 2 filhos de 6 e 2 anos. Aqui no Mexico, nas familias de classe media e media alta, especialmente com filhos pequenos a tradicao é a mulher deixar de trabalhar (mulheres com mestrado e doutorado inclusive), muitas seguem trabalhando quando tem o primeiro filho e já no segundo poucas continuam. Aqui a mulher "ama de casa" ou dona de casa é mais valorizada que ai. Ninguem acha estranho que eu nao trabalhe, apesar de todas compreenderem que sinto falta de trabalhar fora as vezes.

    • Que legal que a dona de casa é valorizada aí, mas ainda senti que o contrário é ruim, pelo que vc falou. Estou certa? O ideal é que não julgassem ninguém e que cada um fizesse o que acha melhor pela família e por si mesma… Ainda chegamos lá, uma hora isso equilibra… rsrsrs
      Beijinhos!

    • Fabiana Giannotti / 17 de outubro de 2012 at 16:49

      Na verdade não sinto tanto isso Carolina, sinto que aqui a sociedade é muito mais machista e nas familias tradicionais os esposos preferem que as mulheres nao trabalhem, mas conheco varias maes trabalhadoras que se adaptam aos horarios ou buscam boas ajudantes e tem o apoio do marido. Como a cultura é assim muitas mulheres nao trabalham porque querem, porque cresceram achando isso certo. Sinto que aqui o feminismo nao pegou tao forte como no Brasil, mas nas classes menos favorecidas as mulheres trabalham porque necessitam ajudar suas familias. Agora decididamente não há tanta cara feia para uma mulher que opta por ser dona de casa. Para ser honesta eu recebo muito mais cara feia no Brasil e EU me cobro muito mais que sou cobrada aqui.

    • Fabiana Giannotti puxa, que bom! Então por aí já está pertinho do ideal para a mulher não é? ;) Adorei as informações, obrigada por compartilhar Fabiana!

  7. Parabéns Carolina! Desde a semana passada eu e uma amiga (que concorda conosco) começamos quase que um embate pra defender nosso ponto de vista no facebook. Ao compartilhar o protesto the minha amiga pelo fato de querer ser dona de casa e não poder, várias mulheres vieram discutir como se nós estivéssemos erradas por essa opção. É muito bom saber que não estamos sozinhas! Tenho 27 anos, sou dona de casa desde os 20, por pura opção. Tenho 2 filhas e 1 filho e gostaria muito que minhas filhas pudessem optar pela profissão que querem seguir sendo respeitadas em qualquer que seja a opção e me preocupo bastante em educar meu filho para que possa respeitar a decisão de todas as mulheres, principalmente de uma futura esposa. Penso que essa educação é de grande responsabilidade das mulheres, pois se não respeitarmos em qualquer posição ninguém nos respeitará! Abraço.

    • Super apoiado Paula! Por aqui, na Hungria, onde moro, ser dona de casa não é bem visto e toda vez que digo que sou dona de casa vem um sorrisinho e o comentário "Que delícia ficar em casa!". Sim, é bom mesmo porque gosto, mas entendo que elas querem dizer que não faço nada em casa e fico de pernas pra cima o dia todo… ahahaha Mas não adianta, a gente tem é que ser firme e saber o que é e o que quer, os outros entendam disso o que quiser, eu faço minha parte como acho melhor… ;)
      Beijinhos!

  8. Daniela Alves Correa / 16 de outubro de 2012 at 18:44

    Carolina Godinho Rosa Szabadkai que texto maravilhoso. Vc tocou no ponto certo: trabalhar fora ou ser dona de casa deve ser uma opção. Existe vida para ambas escolhas com seus pros e contras!

  9. Fico muito feliz com os comentários positivos de vocês. É bom saber que consegui expressar o que muitas de nós sentimos. Obrigada pelo apoio a uma vida de escolhas livres. :) Beijinhos!

  10. Meninas,
    Este assunto ė mesmo muito confuso nos dias de hoje.

    Fui educada para ser uma mulher independente, dona do meu nariz e do meu dinheiro.
    Só que eu nunca me sentí realizada batendo cartão, tendo meta para cumprir, participando de reuniões intermináveis e pensando que ainda tinha que ir ao supermercado ou colocar a roupa na máquina.
    Eu quero mesmo é cuidar do meu Lar!!!!
    Assim eu sou feliz!!!!

    Eu não aprovo ter jornada dupla, se for para trabalhar até tarde, que seja para que minha casa fique limpa, linda, que a comida esteja saborosa e saudável, mas não depois de pegar um monte de ônibus e metrô.

    Haja Mulheres-Maravilha pilotando aviões invisíveis!!!

    Sociedade, seja menos cruel conosco e permita-nos uma vocação de cada vez.
    Não todas, porque humanamente, não dá.

    • Mariana, amei seu comentário!
      Você está certíssima e meu conceito de independencia e dona do próprio nariz é justamente escolher o que prefere, se você prefere cuidar da sua casa e do bem estar da sua família, então seja feliz assim. :)
      Beijos!

  11. Adorei o texto Carol..somos sim muito mais que “Amélias” e esse respeito é importante em qualquer relação social!! BJs

  12. Adorei o texto! Estou morando em cingapura a um ano e sou dona de casa aqui, e percebi quando digo que nao trabalho, as pessoas me olham como se eu fosse uma especie de E.T., e muitos perguntam quando eu vou comecar a trabalhar? Ainda estou numa fase de aceitacao the situacao, porque meu marido sempre acaba morando em varios lugares por pouco tempo e fica dificil conseguir qualquer coisa assim. Amei o texto e me fez nao me sentir tao mau, ate porque nao fico de pernas para o ar..rsrs.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>