A páscoa sem ovo de páscoa

A cada ano a páscoa brasileira envolve cada vez mais ovo de páscoa com brindes. Todo ano as fábricas tentam inovar, tanto nos ingredientes quando no brinde que vem no interior do ovo de chocolate, tem até para adultos.

É uma tradição já antiga mas, como várias outras tradições, perdeu seu sentido inicial e passou a ser meramente comercial, consumismo puro na maioria das vezes. Grandes empresas trabalham para inovar todos os anos, já não basta o ovo de chocolate, tem que ter algo mais com um preço superfaturado.

Para tirar a prova basta entrar em qualquer supermercado nessa época do ano no Brasil para ser literalmente engolido por um túnel feito com ovo de páscoa. É impressionante! 

O preço do ovo de páscoa é considerado caro pela maioria das famílias, e o apelo da publicidade é cruel, quase irresistível para crianças e mesmo adultos. A embalagem é sedutora e a promessa de ter um brinquedo relacionado a algum personagem infantil da moda é aliciante! A Vanessa Anacleto escreveu uma boa reflexão sobre o assunto: Nossas crianças merecem mais.

Mais uma vez o verdadeiro sentido da páscoa, seja o sentido original religioso ou o sentido de renovação/renascimento que a primavera traz no hemisfério norte, é distorcido ou esquecido. 

Não deixe que a páscoa em seu lar seja apenas uma distribuição de ovos de chocolate que perdem o interesse 5 minutos após serem abertos. Aproveite esse ano para começar algo mais significativo e interessante com sua família. O ovo de páscoa feito em chocolate e com brindes pode até estar presente, mas não pode ser o centro dessa celebração, o ponto alto. 

Garanto que se usar sua imaginação ou procurar na internet vai encontrar as mais variadas sugestões criativas para fazer dessa data algo especial realmente. Algo mais simples, mais família, menos gastos, menos consumismo.  

Tem ideias que podem inspirar alguém? Conta pra gente!

Como curiosidade, pode ver como são as tradições de páscoa em Portugal e na Hungria, onde existe a tradição dos homens perfumarem as mulheres!

Imagem destacada: We are that family

 {Renata Marques}

Comer os frutos da época: outono

A natureza é sábia. Comer os frutos da época que a natureza oferece é consumir com sabedoria. 

Nos dias de hoje os hipermercados importam todo o tipo de frutas e legumes em qualquer época do ano, mas não é porque está disponível no mercado que aquele fruto é o mais propício (tanto em se falando de preços como de nutrientes) para ser consumido por sua família. 

De vez em quando ouço pessoas reclamarem do preço de determinado produto sem se lembrar que ele pode ser importado ou cultivado em estufas climatizadas, o que vai encarecer seu preço final, obviamente. 

Como já fizemos anteriormente aqui no blog publicando uma listinha de frutos da época (primavera e verão), segue os produtos que serão mais facilmente encontrados nos mercados, provavelmente com um preço mais barato e com os nutrientes mais adequados para a época. Pode variar conforme a região do Brasil, nem todos estão na lista, mas converse com os vendedores da feira, eles vão saber te orientar. 

Frutos da época

Frutos da época

Se tiver interesse no assunto pode consultar o site CEAGESP como referência para verificar a lista dos frutos da época no Brasil. 

Aproveite para imprimir e ter sempre à mão a listinha, pode colocar na despensa ou na porta da geladeira.

{Renata Marques}

A rotina que funciona

Estou aqui para falar bem da rotina, para elogiar e incentivar você a ter uma rotina. Não é aquela rotina que queremos escapar, mas a rotina do bem. 

Se você é uma pessoa frustrada por não terminar as coisas em casa, se sente que trabalhou muito e produziu pouco, se acha que perde muito tempo tomando pequenas decisões diárias, então este texto é para você. 

 A rotina não vai surgir assim do nada, de uma hora para outra, sem nenhum tipo de intervenção da sua parte. Vai ser preciso parar um pouco, fazer um plano e avançar com esse plano. Uma boa ideia para começar é estabelecer uma rotina matinal

A rotina que funciona é a que te faz funcionar bem.

É importante definir um horário de trabalho, tanto para começar quanto para terminar. Esse horário vai servir de base para organizar todo o seu dia. 

Defina prioridades para seu dia de trabalho

1- Urgente e Importante

Tudo o que não pode adiar, precisa fazer custe o que custar senão a casa não funciona. 

2- Importante 

Todas as coisas que vão fazer você sentir que produziu bem durante o dia. Aquelas que você planeja fazer porque são essenciais. 

3- Nem urgente nem importante

Todas as coisas que nos distraem, tiram nosso foco, mas que nos dão o prazer momentâneo e às vezes até mesmo a sensação de estarmos ocupadas. Essas coisas podem ser feitas sim, mas não na hora que queremos nos dedicar ao trabalho. 

O que saber sobre a rotina

Você tem medo?

A rotina não é um famigerado e abominável bicho de sete papões. A rotina será criada por você, e é você quem a controla. É algo personalizado, que você vai fazer de acordo com as necessidades do seu lar. 

Qual a função?

É preparar você para o dia. Não precisar se desgastar pensando no que vai limpar, o que vai cozinhar… poupar tempo!

Você precisa?

Um dia a dia com uma boa rotina evita o stress. O ser humano gosta de rituais, é confortante saber o que se deve fazer e o que vem a seguir. A rotina ajuda a valorizar as horas livres, o ócio, os passeios, a aventura…

Qual a vantagem?

Não significa que tendo uma rotina sua vida será monótona e sem criatividade, muito pelo contrário! A vantagem é justamente otimizar o tempo, ou seja, ter mais tempo livre, ter a mente disponível para criar, inovar, para aproveitar o dia com mais prazer.  Simplificar seu dia!

Outros textos que já escrevemos sobre rotina: 

 

{Renata Marques}

A dona de casa moderna

Quisemos, lutamos, ganhamos e agora somos livres para trabalhar fora (e dentro).

A mulher ganhou um novo papel na sociedade, ela já não é a imagem da dona de casa, embora esse papel continue sendo dela, na maioria dos casos. Quem é dona de casa por profissão e escolha própria, no entanto, é vista como um insulto, principalmente por essas mulheres que são obrigadas a trabalhar fora e ainda cuidar da casa. Como se atreve alguém a ser “somente” dona de casa? E aqueles olhares, que nós donas de casa conhecemos, aparecem.

Muitas de nós, mesmo não trabalhando por um salário, fora de casa, nos ocupamos de algum empreendimento, que pode começar pequenininho e até virar algo bem grande: blog, fotografia, arte, artesanato…

Antigamente…

Minha mãe já seguia esse modelo, antes mesmo da explosão da internet e as facilidades de se trabalhar de casa. Em base, ela sempre desenhou e pintou. Um trabalho que, infelizmente, não é muito valorizado no Brasil, mesmo com seu talento nato. Eu, quando criança, achava natural, porque cresci vendo sua arte. Hoje eu percebo o quanto seu talento se destaca. Uma de suas telas se encontra na minha sala, aqui na Hungria, e já foi muito elogiada por amigos profissionais da arte. Sim, aqui existe a profissão pintor e escultor. Fora suas pinturas, que infelizmente não ganharam o mercado, minha mãe já foi apicultura, por muitos anos, já criou escargot (aqueles caracóis que se come em restaurante chique), já trabalhou com silkscreen, estampando camisetas, quando o trabalho era bem artesanal ainda, queimando tela e aplicando as cores manualmente, já teve uma loja de bairro, dessas que se encontra de tudo… Enfim, ela estava sempre empreendendo.

Eu ficava muito chateada quando ela respondia na escola, para minha professora, que ela era “do lar”. Não que isso seja ruim, mas eu já percebia aqueles olhares típicos de “ah! Não faz nada…”. Ela fazia TUDO! Não ganhar muito dinheiro com essas coisas, são outros quinhentos, minha mãe sempre foi uma mulher de mil façanhas.

Atualmente…

E lá vou eu seguir seus passos, com muito orgulho, é claro. Sei desenhar, mas é na escrita que me encontrei. Sempre que me perguntam o que eu faço, por aqui, já respondo que sou escritora e dona de casa. Aí os olhares (escritor também não é lá muito valorizado, acham que é só diversão) e a pergunta: Mas você ganha dinheiro com sua escrita? Já querendo dizer que não posso me considerar escritora, se não ganho com isso.

Por que a quantidade de dinheiro que se ganha é o que te define na profissão? Se não ganha, mesmo que você leve a sério e faça como profissão, continua a ser hobby. Mas nessa linha de pensamento, eu seria dona de casa por hobby? Sim, senhor, profissão, porque faço de maneira profissional! Escrevi um livro, que está sendo editado e logo lançado, do jeitinho que tem que ser! E se eu mais perder do que ganhar dinheiro? Continua o fato de ter escrito um livro, não é? Profissão escritora, sim senhor! Independente da minha conta no banco! Mas vai explicar…

Temos um casal de amigos, pessoas muito legais, que gostamos muito, mas que quando o assunto é trabalho, ficam tentando me arranjar um que dê dinheiro. E se você tentasse tal coisa? E se trabalhasse com isso, com aquilo? Gente, eu NÃO quero trabalhar fora! Mas aí parece que eu sou preguiçosa e que só o coitado do meu marido está com TODO o peso de pagar as contas.

Apoio…

Aí é que está a questão: meu marido apoia totalmente minha decisão de cuidar da casa, das crianças e ser a “diretora” da casa. Nós funcionamos como um time, eu dou toda a infraestrutura para que ele possa trabalhar sem se preocupar com os detalhes da casa (claro, ainda assim ele ajuda passando um aspirador aqui, guardando uma loucinha ali, ensinando as crianças para a prova da escola…), acalmo suas angústias conversando sobre o emprego dele, ajudo nas decisões e ele assegura o lado financeiro, dando-me espaço para tentar a carreira que realmente sonho, que é ser escritora e ganhar com isso. Formamos um excelente time, temos um ótimo casamento, crianças educadas, felizes e sapecas na medida certa… Por que eu teria que mudar, não é?

Muitas vezes penso que, para uma dona de casa que gosta da profissão, os dias de hoje são difíceis. Temos que dar explicações, aguentar conselhos e carinhas de pessoas que escolheram uma profissão com um nome “mais legal” e, de repente, tanto faz o que você gosta ou quer, o importante é ralar por dinheiro, ralar de graça em casa, não vale!

Nossa luta…

Mas é isso aí, umas lutaram pra poder sair, nossa luta é pra ficar em casa!

E vamos lutando, nos inventando, nesses tempos em que a mulher tem que se virar em mil, para cumprir seu papel e não ser julgada. O melhor é não ligar para quem te olha feio e seguir fazendo o que gosta, seja na profissão de dona de casa ou com algum projeto, seja trabalhando dentro ou fora de casa. Façamos o que gostamos e gostemos do que fazemos, os frutos um dia aparecem.

Carol Szabadkai 

 http://carolbrasilhungria.blogspot.com/